Cecília narrando:
Eu estava com medo, nunca pensei que seria capaz de mentir assim, mais só de falar com ele, é tão bom.
Nossa, eu esqueci completamente do Guto, desci as escadas correndo e ele estava lá no sofá com o Playstation ligado e dormindo por cima, peguei ele mais uma vez no braço e o levei para cama, e logo em seguida fui a minha, demorei para pegar no sono, mais consegui.
Com a mesma rotina de sempre, me levantei e acordei Guto, levamos ele a creche e em seguida fui a aula.
Passo pelo porteiro e dou um bom dia, as vezes bebo água e as vezes não.
Subi as escadas, e fui para a sala de aula, minha cabeça estava doendo então resolvo descer as escadas para ir tomar um remédio, chego no bebedouro e bebo a água, e logo em seguida engulo o comprimido, e quando eu voltava, alguém pegou em meu ombro e quando eu viro, era ele, Henrique, só não sabia o que ele queria comigo. Sentiu saudades, iria me beijar ? Dar um Oi ? ou me Provocar ?
- Oi Cecília. - falou ele, nesse momento minhas pernas tremeram e meu coração foi a mil.
- Oi. - falei eu desviando o olhar, olhando para o chão.
- Faz tempo que não nos falamos né ? - na verdade nos falamos ontem, mais foi uma conversa nada agradável, e ainda tinha as conversas da Jasmin, onde na verdade era eu.
- É, faz tempo mesmo, 10 acho que acho.
- Uhum, então ta indo pra sala ?- me perguntou ele, pondo a mão em meu ombro.
Comecei a dar alguns passos, onde ele me acompanhava.
- Sim, já estava subindo.
Quando chegamos perto do corrimão, tiro um lenço do bolso do casaco que usava, pois estava fazendo muito frio aquela manhã, tirei meus óculos e fui limpa-lo. Enquanto esfregava o lenço sobre uma lente, olhei para ele.
Henrrique narrando:
Como, como eu poderia esquecer daqueles olhos ? Mais porque ela esta assim ? Parecendo uma nerd ?
A única lembrança de que me via na cabeça, era os seus lindos olhos azuis.
Cecília narrando:
Ele ficou olhando para mim de um jeito, acho que talvez estivesse rindo por dentro, acho que sou vesga sei lá, me vê sem óculos deveria ser a coisa mais hilária daquele mundo. Coloquei meu óculos rapidamente e subi.
- Calma ai Cecília, pra que pressa?
- Nada não, é que acho que a professora deve estar na sala, e é hoje que ela irá receber o trabalho.
Ele acentiu com a cabeça, e me acompanhou. Entramos na sala e cada um foi ao seu lugar.
Finalmente ele veio conversar comigo, é acho que pelo menos terei sua amizade de volta, e o passado esquecendo aos poucos. Afinal éramos apenas crianças.
O sinal do intervalo tocou, e eu fui para o banco da "excluída" onde esse banco estaria reservado apenas para uma pessoa, eu, Cecília.
Continuei lendo meu romance, quando olho para o local onde os populares ficam, Henrique já se enturmou naquela turma, abaixo a cabeça para voltar a lê o livro, e 2 minutos depois chega Henrique:
- Cecília, me segue.
- Mais pra onde ? - perguntei com um olhar curioso.
- Conhecer minha nova galera.
- aah, nem vou, eles me detestam.
- Mais vem, sou eu que estou pedindo.
Eu então, fechei o livro e o segurei com a mão direita, ele pegou em meu ombro e foi me levando a seus amigos.
- Gente, esta aqui é Cecília, amiga minha de infância. - para ele, fui apenas amiga.
- Já conhecemos, a excluída. - Vic soltou um riso irônico.
Eu apenas abaixei a cabeça e fiquei lá em pé, esperando alguém falar comigo, mais nada Henrique ficou lá agarrando Bruna, até que eu não esperava o que ia acontecer, sim ele estava beijando ela, no segundo dia de aula. Aquilo doeu, e como doeu, meu coração parecia que estava sendo cortado, parte por parte. o Beijo dele parecia perfeito para outros, eu escutei gritos, parecia ser uma festa, para mim foi tema de velório, abaixei a cabeça e como ninguém percebia minha presença eu sai dali, todos estavam indo para o galpão vê seus beijos, eu entro na sala e estava completamente vazia, uma lágrima passou a escorrer sobre a pele do meu rosto, parando ao tocar em meus lábios, enxuguei o mais rápido possível, e fiquei lá encostada na parede, olhando o ventilador no teto.
Logo o sinal para as ultimas aulas tocaram, os alunos começam a chegar e primeiro chega um dos populares, sim era Kleber ele sentava ao meu lado e conversou comigo.
- Aconteceu alguma coisa Cecília ?
- Nada não, é que tava pensando na vida. - falei tentando sorrir.
- A ta, qualquer coisa conversa comigo tudo bem ? Vou ser seu amigo apartir de hoje, cansei de ser o marrento de sempre, tive uma lição de vida, pretendo mudar com as pessoas.
- Obrigada, pelo menos terei um amigo depois de 10 anos.
Ele apenas rio, e o pessoal começou a entrar na sala de aula e por último chegou Henrique com Victória, mais não vinheram de mãos dadas, ou algo parecido, podiam até ter ficado mais não gostei daquilo, aquilo me magoou e muito.
Professor entra na sala, e logo todos ficam em silêncio, era um dos professores mais odiados da escola, mais eu gostava dele, de algum modo eu era a única que ele tratava bem.
Ele então termina a aula mais cedo, precisava ir ao hospital pois um parente dele estava lá, foi dai que tive que esperar mais um pouco até o motorista chegar, fiquei lá na frente da escola, sentada sobre uma calçada e do meu lado sentou Kleber.
- Cecília, posso pedir uma ajuda ? - falou Kleber.
- Claro. - falei eu, mesmo sabendo que não iria ajudar em nada.
- É o seguinte, eu to gostando de uma garota e sei que ela gosta de mim, e essa pessoa é a Valéria, só que ela tem namorado e tem medo de terminar com ele, ele é marrento sabe, conhece o Alex ?
O Alex era um dos caras mais duros e marrentos da escola, muitos tinham medo de brigar com ele, até Kleber que também era marrento parecia estar com medo.
Fiz um sinal com a cabeça, como estivesse pedindo pra prosseguir.
- O que devo fazer, e o que ela deve fazer para ficarmos juntos ?
Eu nunca fui uma conselheira amorosa, e também nem experiência tive.
- Assim, se você quer você tem que ir atrás, e ela tem que decidir, algum dia ele vai ficar sabendo ou não, e seria melhor ela contar do que ele souber através dos outros, pois assim a situação iria piorar.
- Mais é que sei lá, eu tenho vontade de conversar com ele, mais ela pede que não, diz que temos que esperar mais um pouco.
- Ai vai ser difícil, mais se você gosta tanto dela, espera ela da um jeito, se ela acha melhor assim, o melhor que tem a fazer é concordar pois se não ela poderia ficar magoada. Mesmo assim, eu acho certo ela conversar com ele antes.
- Valeu Cecí, se é que posso te chamar assim. - falou ele dando um riso de lado.
- Claro.
- Bom vou lá, moro perto da escola então vou a pé.
Ele dei um beijo em minha testa e saiu, finalmente um amigo.
Assim que ele saiu o meu carro chegou, e eu entrei iríamos pegar Guto, parei em frente a creche e ele estava chorando.
- O que foi Gutinho ?
- Olha meu dodói, eu cai.
Ele tava com um pequeno ferimento no joelho, e com uma carinha tão triste que no fundo me deu uma dózinha tão grande.
- Fica assim não maninho, em casa a Cecí aqui vai cuidar disso, e a dor vai embora, vai correr de medo do remédio.
Ele deu um sorriso sobre as lágrimas, e então me abraçou e fomos andando em direção ao carro.
Tópico: Capítulo 5
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